Elas reposicionam o Brasil no mapa global da inovação

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A ciência brasileira avança com protagonismo feminino cada vez mais consistente. Pesquisadoras não apenas participam de grandes descobertas, como também coordenam estudos estratégicos e influenciam decisões de alcance internacional. Dessa forma, o Brasil amplia sua relevância científica e fortalece sua presença nos debates globais.

Não se trata apenas de visibilidade. Trata-se de liderança técnica, produção qualificada e impacto mensurável na saúde pública e na inovação.

Da crise à liderança

Durante a pandemia de Covid-19, cientistas brasileiras ocuparam posições centrais na resposta científica.

Ester Sabino, professora da Universidade de São Paulo, coordenou estudos sorológicos que analisaram a circulação do SARS-CoV-2 no país. Suas pesquisas, publicadas em periódicos científicos internacionais, estimaram níveis de exposição da população ao vírus e ajudaram a compreender a dinâmica da transmissão, especialmente em Manaus. Além disso, seu grupo contribuiu para análises sobre reinfecções e variantes, oferecendo dados essenciais para políticas públicas fundamentadas em evidências.

Paralelamente, Jaqueline Goes de Jesus integrou a equipe responsável pelo primeiro sequenciamento do genoma do novo coronavírus na América Latina, realizado em janeiro de 2020. O resultado foi obtido apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso no Brasil. A rápida decodificação permitiu inserir o país em redes internacionais de vigilância genômica e colaborar com bancos globais de dados científicos. Esse trabalho fortaleceu estratégias de rastreamento viral e monitoramento de mutações.

Impacto ampliado

O impacto dessas pesquisadoras também se manifesta na formação de novos cientistas. Elas orientam mestrandos e doutorandos, lideram grupos de pesquisa certificados e participam de redes nacionais e internacionais de colaboração.

Segundo dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão federal vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mulheres representam aproximadamente metade dos pesquisadores cadastrados no país. No entanto, ainda ocupam proporção menor em bolsas de produtividade nível mais alto e em cargos de liderança institucional. Portanto, ampliar reconhecimento e oportunidades continua sendo um desafio estratégico.

Instituições como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul vêm ampliando a presença feminina em áreas como física, biotecnologia e engenharia, contribuindo para um ambiente científico mais diverso e inovador.

Futuro estratégico

Diversidade científica amplia perspectivas e fortalece soluções. Quando mulheres lideram pesquisas em saúde, biotecnologia e inovação, o impacto ultrapassa o ambiente acadêmico e alcança políticas públicas, economia e desenvolvimento social.

Conforme destaca a Forbes Brasil, o protagonismo feminino na ciência brasileira deixou de ser exceção e consolida-se como força estruturante. Esse movimento não apenas corrige desigualdades históricas, mas também fortalece a competitividade do país no cenário internacional.