Braulina Baniwa organiza dossiê sobre a bioeconomia feminina na Amazônia

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A antropóloga indígena Braulina Baniwa, do povo Baniwa, coordena o dossiê “Bioeconomia Indígena Feminina da Amazônia: Vozes das Gerações”. A publicação rompe com o apagamento histórico das mulheres indígenas nos debates sobre economia, desenvolvimento e sustentabilidade.

O trabalho reúne entrevistas com mulheres de diferentes povos e territórios da Amazônia. A partir desses relatos, o dossiê demonstra que a bioeconomia indígena surge da relação viva com a floresta. Além disso, reconhece o cuidado com a vida, o respeito ao tempo da natureza e a força da ciência ancestral transmitida entre gerações.

Saberes que geram vida, renda e resistência

Nesse sentido, o estudo revela que a bioeconomia indígena feminina ultrapassa os limites da produção econômica. Ela articula cultura, espiritualidade e organização comunitária. Assim, práticas cotidianas como o manejo de sementes, a produção artesanal e o uso sustentável dos recursos naturais tornam-se estratégias concretas de preservação ambiental e fortalecimento dos territórios.

Ao mesmo tempo, o dossiê evidencia que esses saberes sustentam redes de solidariedade entre mulheres, estimulam a formação de novas lideranças e garantem a continuidade dos conhecimentos tradicionais dentro das comunidades.

Defesa da floresta

Por outro lado, a publicação também expõe desafios urgentes. A crise climática, o avanço do garimpo ilegal e a invisibilização institucional impactam diretamente a vida das mulheres indígenas. Ainda assim, elas permanecem na linha de frente da proteção da floresta, transformando o cuidado em ação política e o conhecimento ancestral em ferramenta de resistência.

Além disso, o dossiê reforça um princípio essencial: sem terra demarcada não há floresta; sem floresta não existe bioeconomia. Portanto, a luta pelo território aparece como condição indispensável para a manutenção da vida, da cultura e

Economia da Amazônia

Ao ampliar o debate sobre modelos econômicos baseados na sociobiodiversidade, o material propõe uma lógica distinta da economia convencional. A bioeconomia indígena feminina se fundamenta no coletivo, na proteção ambiental e na continuidade dos saberes ancestrais, e não apenas na exploração de recursos.

Por fim, o dossiê integra uma entrevista disponível no site da Mídia Indígena. A iniciativa fortalece a comunicação produzida pelos próprios povos indígenas e amplia a visibilidade das narrativas protagonizadas por mulheres da Amazônia, reafirmando seu papel central na construção de alternativas sustentáveis para o futuro da região.

Mais informações podem ser acessadas em: midiaindigena.com.br.