Em 1792, em meio às transformações políticas da Europa, a filósofa inglesa Mary Wollstonecraft publicou A Vindication of the Rights of Woman. Naquele momento, mulheres não tinham acesso igualitário à educação formal, não participavam da política e dependiam legalmente de homens em diversas esferas da vida.
Ainda assim, ela afirmou com clareza que não desejava que as mulheres tivessem poder sobre os homens, mas sobre si mesmas. Com isso, deixou evidente que sua defesa não pretendia inverter hierarquias, e sim garantir autonomia.
Educação como libertação
Enquanto pensadores influentes como Jean-Jacques Rousseau defendiam que mulheres deveriam ser educadas apenas para agradar e servir, Wollstonecraft contestou essa lógica. Ela argumentou que a aparente inferioridade feminina resultava da falta de acesso à educação racional e científica.
Assim, ela propôs algo revolucionário para o século XVIII. Educação igualitária para formar mulheres independentes, racionais e economicamente autônomas.
Além disso, dois anos antes, ela já havia participado do debate político ao publicar A Vindication of the Rights of Men, no qual criticou posições conservadoras sobre direitos e cidadania.
Rompimento de padrões
Mary não defendeu liberdade apenas no papel. Ela viveu suas convicções. Teve uma filha fora do casamento, enfrentou julgamento social e, mais tarde, casou-se com o filósofo William Godwin. Dessa união nasceu Mary Shelley, autora de Frankenstein.
Infelizmente, Wollstonecraft morreu em 1797, aos 38 anos, devido a complicações após o parto. No entanto, suas ideias ultrapassaram sua própria existência e influenciaram movimentos sufragistas do século XIX e as ondas feministas posteriores.
Atualidade que incomoda
Hoje, quando falamos sobre autonomia financeira, liberdade afetiva, direito ao próprio corpo e escolha profissional, retomamos uma pauta iniciada há mais de 230 anos.
Porque, no fundo, poder sobre si significa decidir sem pedir permissão. Significa ocupar espaço com consciência. Significa reconhecer-se como sujeito da própria história.










