Tradicionalmente, a saúde materna vinha sendo medida por indicadores como mortalidade, complicações na gestação e acesso a um parto seguro. Mas esse olhar ampliou-se recentemente. Entre 2022 e 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) liderou um amplo processo global de consulta multiprofissional que culminou na definição e no desenvolvimento de um marco conceitual inovador sobre o bem-estar materno publicado em 2025 na revista científica The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health, uma das mais respeitadas internacionalmente.
O artigo, Maternal wellbeing: a WHO definition and conceptual framework, apresenta uma definição global e um arcabouço conceitual que reconhece que a saúde materna não se resume apenas a sobreviver à gestação e ao parto, mas envolve garantir que as mulheres vivam a maternidade com dignidade, autonomia, apoio emocional e segurança, desde a concepção até um ano após o fim da gravidez.
O artigo não estabelece uma diretriz oficial obrigatória, mas propõe uma mudança profunda de perspectiva, ao reconhecer que o bem-estar materno é um direito humano, e não apenas um resultado clínico. Isso significa considerar fatores físicos, emocionais, sociais e ambientais que impactam diretamente a experiência das mulheres em contextos diversos.
Segundo o modelo proposto pela OMS, o bem-estar materno é sustentado por seis dimensões interligadas:
Saúde e nutrição — Vai além da ausência de doença, incluindo alimentação adequada, acesso a serviços de saúde de qualidade e acompanhamento contínuo.
Experiência e qualidade do cuidado — Valoriza um cuidado respeitoso, sem violência obstétrica, com escuta ativa, informação clara e decisões compartilhadas.
Segurança e ambiente — Considera condições de moradia, renda, trabalho, proteção social e ambientes seguros para gestar, parir e cuidar.
Relações e conexões — Reconhece a importância de redes de apoio como família, comunidade, serviços e vínculos afetivos para a saúde mental e emocional.
Autonomia e controle sobre decisões — Defende o direito da mulher de participar ativamente das decisões sobre seu corpo, sua gestação e seu cuidado.
Cultura e valores — Integra crenças culturais, tradições e valores pessoais que moldam a experiência materna.
Leia o artigo completo: https://www.thelancet.com/journals/lanogw/article/PIIS3050-5038(25)00017-2/abstract










