Cinema ignora mulheres 60+: estudo britânico expõe desigualdade nas telas

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Mesmo com o envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida, mulheres com mais de 60 anos continuam praticamente invisíveis no cinema comercial. Essa é a principal conclusão do estudo Age Without Limits, pelo Centre for Ageing Better, organização britânica dedicada ao combate ao etarismo.

A pesquisa mostra que a indústria audiovisual ainda reproduz barreiras que limitam a presença feminina em papéis de destaque, especialmente na maturidade.

Quando a ficção supera a realidade

O levantamento analisou os 100 filmes de maior bilheteria exibidos nos cinemas do Reino Unido nos últimos três anos e identificou um dado surpreendente: apenas cinco produções tinham mulheres com mais de 60 anos como protagonistas.

Em contrapartida, personagens de animais falantes tiveram quatro vezes mais chances de liderar essas histórias. O resultado evidencia que o problema não está na falta de talento, mas na escassez de oportunidades oferecidas às atrizes mais velhas.

Especialistas afirmam que o cenário reflete a combinação entre etarismo e desigualdade de gênero. Enquanto muitos atores mantêm papéis centrais ao longo da carreira, atrizes costumam enfrentar uma redução significativa de espaço conforme envelhecem.

Como consequência, histórias protagonizadas por mulheres maduras permanecem raras, apesar de esse grupo representar uma parcela crescente da sociedade e do público consumidor de cinema.

Representatividade também gera valor

Além da dimensão social, pesquisadores defendem que ampliar a presença de mulheres acima dos 60 anos pode enriquecer as narrativas e ampliar o alcance comercial das produções.

O envelhecimento demográfico observado em diversos países exige conteúdos capazes de dialogar com diferentes gerações. No entanto, a indústria ainda aposta em modelos tradicionais de protagonismo e deixa de explorar experiências, vivências e perspectivas que refletem a realidade de milhões de mulheres.

O estudo reforça que combater o etarismo no audiovisual não significa apenas promover inclusão. Significa também reconhecer que boas histórias não têm prazo de validade.

À medida que a população envelhece, cresce a expectativa por produções que representem todas as fases da vida com autenticidade, diversidade e protagonismo feminino. Afinal, envelhecer não reduz o talento, apenas expõe a necessidade de uma indústria mais plural e conectada com a sociedade atual.