Muito antes de fundar o Instituto Mulher em Construção, a gaúcha Bia Kern, nascida em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, aprendeu que a força de uma mulher pode sustentar uma família inteira.
Aos 11 anos, viu a mãe criar sozinha sete filhos em meio às dificuldades financeiras. Aquela realidade moldou seu olhar sobre autonomia e fez nascer a convicção de que a construção civil poderia abrir portas para outras mulheres, e não apenas erguer paredes.
A experiência despertou uma percepção que guiaria sua atuação no futuro. Para ela, a construção civil poderia deixar de ser vista como um espaço exclusivamente masculino e se tornar uma ferramenta de autonomia para mulheres.
Da experiência pessoal à ação coletiva
A partir dessa convicção, Bia Kern fundou o Instituto Mulher em Construção. A iniciativa oferece capacitação técnica para mulheres na área da construção civil e busca ampliar oportunidades de trabalho, geração de renda e empreendedorismo.
Conforme as informações divulgadas pelo próprio instituto, mais de 10 mil mulheres já participaram das formações oferecidas em cerca de 40 cidades brasileiras.
Os resultados vão além da qualificação profissional. Muitas participantes reformaram as próprias casas, conquistaram uma profissão, abriram negócios e passaram a gerar renda.
Dessa forma, o conhecimento técnico tornou-se também um instrumento para fortalecer a independência econômica e ampliar as possibilidades de desenvolvimento pessoal.
Conhecimento que fortalece a independência
A proposta do instituto dialoga com um desafio histórico do mercado de trabalho. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que as mulheres ainda enfrentam barreiras para ocupar diversos setores da economia, especialmente aqueles tradicionalmente associados à mão de obra masculina.
Nesse contexto, iniciativas voltadas à formação profissional contribuem para ampliar a participação feminina em diferentes atividades e reduzir desigualdades de acesso ao emprego e à renda.
A carreira de Bia Kern demonstra como uma experiência marcada por dificuldades pode inspirar soluções coletivas. Ao ensinar mulheres a construir paredes, ela também ajudou milhares delas a reconstruir projetos de vida, fortalecer a autonomia e descobrir que o conhecimento pode abrir portas para novas oportunidades.
Mais do que formar profissionais, a iniciativa evidencia que inclusão, capacitação e independência caminham lado a lado quando encontram espaço para crescer.
Fonte: Mulheres em Construção










