A maternidade não está apagando a ambição profissional das mulheres. O que está pesando é o que acontece quando elas voltam ao trabalho. O relatório The Future of Working Motherhood 2026, produzido pela Executive Moms a partir de respostas de quase 500 mulheres profissionais, mostra que 40% deixaram o emprego depois de ter um filho, enquanto apenas 30% afirmaram que suas organizações reconheceram ou ofereceram suporte estruturado para a transição após a licença.
O dado mais revelador aparece justamente na volta. Segundo o levantamento, somente 22% das entrevistadas tiveram acesso a um plano estruturado de retorno, com definição de expectativas e adaptação das atividades.
Entre as mulheres que deixaram seus empregos, 65% fizeram isso no primeiro ano após o retorno. O estudo também aponta que 68% consideraram a liderança direta e a cultura do ambiente de trabalho fatores decisivos para tornar essa fase sustentável.
Flexibilidade pode definir permanência
A pesquisa também questiona uma ideia ainda comum no mercado, a de que a mulher perde ambição depois da maternidade. Os dados indicam outra realidade.
Para as entrevistadas, o problema está em modelos de trabalho que não acompanham as mudanças da vida. 63% apontaram o desenho flexível do trabalho como a medida sistêmica mais importante para sustentar a permanência das mães, enquanto 97% disseram que permaneceriam mais tempo em uma empresa que oferecesse apoio efetivo à maternidade.
O cenário brasileiro
No Brasil, a legislação garante 120 dias de licença-maternidade, sem prejuízo do emprego e do salário. Empresas participantes do Programa Empresa Cidadã podem ampliar esse período por mais 60 dias.
O Ministério das Mulheres também destaca a estabilidade da gestante, o salário-maternidade e os intervalos para amamentação entre as garantias relacionadas à maternidade no trabalho.
A volta precisa fazer parte da política da empresa
Os números mostram que oferecer licença não encerra a responsabilidade das organizações com as profissionais que se tornam mães. A volta precisa considerar carga de trabalho, flexibilidade, expectativas claras e acompanhamento da liderança.
Quando essa estrutura não existe, empresas podem perder profissionais experientes justamente em uma fase importante para a formação de novas lideranças.
O recado do estudo é direto, não basta abrir espaço para que uma mulher volte, é preciso criar condições para que ela consiga permanecer e crescer.











