Depois dos 40 o roteiro muda e a coragem ganha experiência

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Outro dia, uma amiga me perguntou como eu decidi iniciar um novo projeto do zero, incluindo até uma nova formação. Na hora, eu entendi a pergunta, mas não entendi tudo. Porque o que ela queria saber não era exatamente sobre o projeto, nem sobre o curso, nem sobre planejamento. Era sobre coragem. Era sobre o que acontece quando a gente decide recomeçar depois dos 40, justamente quando o roteiro já deveria estar pronto e a vida resolve improvisar.

Respondi devolvendo a pergunta, como seria se fosse com você? Porque reiniciar depois de já ter vivido o suficiente para saber que não é simples exige mais do que impulso, exige escolha. Talvez a resposta esteja menos na decisão em si e mais no cansaço de não tentar. A idade nunca foi decisiva na minha vida, o sentido de fazer sempre foi. Não me coloco no lugar de exemplo ou de inspiração para ninguém. Eu faço o que desejo e, se isso de alguma forma faz sentido para outras pessoas, fico profundamente grata.

Aprendi a ser grata a cada passo. Minha régua não é perímetro para ninguém, mas serve para mim. Então, toda vez que julgo necessário recomeçar, interromper ou mudar de rota, eu faço. Eu ajo. E isso não significa insatisfação, porque em todos os projetos que executo existe entrega e existe verdade. Mas também existe o desejo de ir além daquilo que já foi conquistado.

Medo? Ele está presente em todo caminhar. E, curiosamente, é ele que também impulsiona a sobrevivência e provoca o incômodo necessário para encarar um novo começo. A maturidade não elimina o medo, mas acalma. Porque depois dos 40 você entende que cada etapa importa, o tempo de semear, o tempo de cultivar e o tempo de colher.

E você, existe algo que gostaria de fazer, mas ainda se limita por causa da idade?

 

Maíra Pessoa Jornalista| criadora do Elas &Eu |Mulher em Construção. Comunicação que informa, provoca e acolhe.