Notícias femininas no Brasil e no mundo| Elas e Eu https://elaseeu.com.br/ Portal de notícias femininas no Brasil e no mundo com histórias reais, comportamento, saúde, carreira e empoderamento feminino.. Tue, 08 Sep 2026 00:10:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://elaseeu.com.br/wp-content/uploads/2025/09/favicon-32x32-1.png Notícias femininas no Brasil e no mundo| Elas e Eu https://elaseeu.com.br/ 32 32 Mulheres vão às ruas pela criminalização da misoginia https://elaseeu.com.br/mulheres-vao-as-ruas-pela-criminalizacao-da-misoginia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=mulheres-vao-as-ruas-pela-criminalizacao-da-misoginia Wed, 02 Sep 2026 17:05:37 +0000 https://elaseeu.com.br/?p=3575 Manifestações em pelo menos 19 cidades pressionam o Congresso pela votação de projeto que transforma a misoginia em crime

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Mulheres ocuparam as ruas de pelo menos 19 cidades brasileiras no dia 2 de setembro para cobrar uma resposta do Congresso ao avanço da misoginia. A mobilização, convocada pelo Levante Mulheres Vivas, levou às ruas uma reivindicação direta: que o PL 896/2023, que criminaliza condutas praticadas por misoginia, avance na Câmara dos Deputados.

Os atos aconteceram em cidades como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Salvador, João Pessoa, Boa Vista, Curitiba, Campo Grande e Belo Horizonte. A manifestação ocorreu em um momento decisivo da tramitação da proposta, que já foi aprovada pelo Senado e recebeu regime de urgência na Câmara, em votação realizada em julho.

Pelo texto em discussão, crimes praticados em razão de misoginia passam a ser enquadrados na legislação que trata de crimes resultantes de discriminação ou preconceito. A proposta prevê pena de dois a cinco anos de prisão e multa, além de tornar a prática inafiançável e imprescritível.

A pressão das ruas tem um recado político claro, não basta reconhecer que a violência contra mulheres existe. É preciso responsabilizar quem transforma o ódio contra elas em ameaça, humilhação, perseguição ou violência.

A discussão também revela uma questão que ultrapassa o texto de uma lei. A misoginia está presente quando mulheres são deslegitimadas por ocupar espaços de poder, quando sua palavra é desacreditada por serem mulheres e quando ataques contra elas são tratados como algo normal ou inevitável.

Por isso, as manifestações não são apenas uma cobrança pela votação de um projeto. São uma disputa por reconhecimento. Pelo direito de mulheres viverem, trabalharem, decidirem e ocuparem espaços públicos sem que o ódio seja tratado como parte do preço de ser mulher.

E agora a pressão chegou ao Congresso. A proposta está pronta para ser pautada no Plenário da Câmara, aguardando despacho da Presidência.

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Maternidade afasta 40% das mulheres do trabalho https://elaseeu.com.br/maternidade-afasta-40-das-mulheres-do-trabalho/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=maternidade-afasta-40-das-mulheres-do-trabalho Mon, 31 Aug 2026 16:55:29 +0000 https://elaseeu.com.br/?p=3574 Levantamento com quase 500 profissionais mostra que 40% das mulheres deixam o emprego após a chegada de um filho, enquanto apenas 22% contam com um plano estruturado para voltar ao trabalho.

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A maternidade não está apagando a ambição profissional das mulheres. O que está pesando é o que acontece quando elas voltam ao trabalho. O relatório The Future of Working Motherhood 2026, produzido pela Executive Moms a partir de respostas de quase 500 mulheres profissionais, mostra que 40% deixaram o emprego depois de ter um filho, enquanto apenas 30% afirmaram que suas organizações reconheceram ou ofereceram suporte estruturado para a transição após a licença.

O dado mais revelador aparece justamente na volta. Segundo o levantamento, somente 22% das entrevistadas tiveram acesso a um plano estruturado de retorno, com definição de expectativas e adaptação das atividades.

Entre as mulheres que deixaram seus empregos, 65% fizeram isso no primeiro ano após o retorno. O estudo também aponta que 68% consideraram a liderança direta e a cultura do ambiente de trabalho fatores decisivos para tornar essa fase sustentável.

Flexibilidade pode definir permanência

A pesquisa também questiona uma ideia ainda comum no mercado, a de que a mulher perde ambição depois da maternidade. Os dados indicam outra realidade.

Para as entrevistadas, o problema está em modelos de trabalho que não acompanham as mudanças da vida. 63% apontaram o desenho flexível do trabalho como a medida sistêmica mais importante para sustentar a permanência das mães, enquanto 97% disseram que permaneceriam mais tempo em uma empresa que oferecesse apoio efetivo à maternidade.

O cenário brasileiro

No Brasil, a legislação garante 120 dias de licença-maternidade, sem prejuízo do emprego e do salário. Empresas participantes do Programa Empresa Cidadã podem ampliar esse período por mais 60 dias.

O Ministério das Mulheres também destaca a estabilidade da gestante, o salário-maternidade e os intervalos para amamentação entre as garantias relacionadas à maternidade no trabalho.

A volta precisa fazer parte da política da empresa

Os números mostram que oferecer licença não encerra a responsabilidade das organizações com as profissionais que se tornam mães. A volta precisa considerar carga de trabalho, flexibilidade, expectativas claras e acompanhamento da liderança.

Quando essa estrutura não existe, empresas podem perder profissionais experientes justamente em uma fase importante para a formação de novas lideranças.

O recado do estudo é direto, não basta abrir espaço para que uma mulher volte, é preciso criar condições para que ela consiga permanecer e crescer.

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Mulheres nas bets, mas fora dos investimentos, o que explica esse contraste? https://elaseeu.com.br/mulheres-nas-bets-mas-fora-dos-investimentos-o-que-explica-esse-contraste/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=mulheres-nas-bets-mas-fora-dos-investimentos-o-que-explica-esse-contraste Fri, 28 Aug 2026 17:54:31 +0000 https://elaseeu.com.br/?p=3573 Enquanto 72% das brasileiras não investem, elas já representam 34% dos apostadores online.

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Você já reparou como falar sobre investimento ainda parece complicado para muita gente? Quando olhamos para as mulheres, essa distância fica ainda mais evidente. A 5ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa da Anbima em parceria com o Datafolha, mostrou que 72% das mulheres não eram investidoras.

O levantamento foi feito entre 9 e 30 de novembro de 2021, com 5.878 pessoas de todas as regiões do país. Naquele momento, apenas 28% das mulheres entrevistadas investiam.

O cenário mudou, mas a distância continua

Agora vamos para os dados mais recentes. A 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, divulgada pela Anbima em 2026 e baseada no comportamento financeiro observado em 2025, mostra que 31% das mulheres brasileiras já são investidoras. Entre os homens, o índice chega a 41%.

O estudo também aponta que 69% das mulheres ainda não utilizam ou não conhecem aplicações financeiras, enquanto entre os homens esse percentual é de 53%. Ou seja, houve avanço, mas o acesso ao universo dos investimentos ainda não acontece da mesma maneira para os dois grupos.

E onde entram as bets?

É aqui que aparece o contraste que merece atenção. A mesma 9ª edição do Raio X mostra que 17% da população fez apostas online em 2025, percentual que subiu de 14% em 2023 e 15% em 2024.

Entre os apostadores, 34% são mulheres e 66% são homens. A pesquisa também identificou que 37% dos apostadores gastam R$ 100 ou mais por mês com as plataformas.

O dado revela que as apostas conseguiram ocupar um espaço na rotina financeira de uma parcela das brasileiras, enquanto uma parte expressiva ainda não se reconhece como investidora.

A própria Anbima identificou que ganhar dinheiro rapidamente é uma das principais motivações para apostar. Em 2025, essa justificativa apareceu entre 39% das pessoas que apostavam, enquanto 32% disseram apostar por diversão.

Por que uma coisa parece mais acessível que a outra?

A resposta não está apenas na vontade de ganhar dinheiro. Existe também uma diferença na forma como esses dois universos chegam até as pessoas. As plataformas de apostas oferecem uma experiência imediata, digital e simples de compreender.

Já os investimentos costumam aparecer acompanhados de termos como rentabilidade, liquidez, risco, diversificação e perfil de investidor.

A Anbima decidiu investigar justamente esse comportamento. Em uma pesquisa qualitativa realizada em 2025, em parceria com a Kyvo, foram entrevistados 60 apostadores e ex-apostadores de diferentes regiões brasileiras.

O estudo analisou entrevistas, grupos focais, redes sociais e o ambiente digital para entender as relações entre apostas, dinheiro, risco e expectativa de ganho. Os resultados mostram que palavras comuns do universo financeiro, como “retorno”, “rendimento” e “estratégia”, também aparecem associadas às apostas.

A pergunta que fica para as mulheres

Se uma mulher consegue entrar em uma plataforma de apostas, compreender rapidamente como funciona e enxergar ali uma possibilidade de ganho, por que o investimento ainda parece tão distante? Essa pergunta importa porque educação financeira não deveria começar pelo medo dos números. Ela precisa partir da realidade de quem administra o próprio dinheiro, paga contas, cria filhos, trabalha, empreende ou tenta construir uma reserva.

Os dados mais recentes mostram que esse cenário pode mudar. Entre as mulheres que já investem, a caderneta de poupança ainda aparece para 69%, mas outros produtos começam a ganhar espaço. Títulos privados são utilizados por 16% e fundos de investimento por 10% das investidoras. A própria Anbima identifica, portanto, um movimento gradual de diversificação.

O ponto é entender o que faz uma mulher se sentir capaz de movimentar dinheiro em uma plataforma, mas ainda não se sentir preparada para investir. Quando informação financeira passa a usar uma linguagem mais simples, próxima e respeitosa, o dinheiro deixa de ser assunto distante e começa a fazer parte das decisões do cotidiano.

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IA vira aliada das mulheres na defesa de seus direitos https://elaseeu.com.br/ia-vira-aliada-das-mulheres-na-defesa-de-seus-direitos/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=ia-vira-aliada-das-mulheres-na-defesa-de-seus-direitos Mon, 24 Aug 2026 15:53:24 +0000 https://elaseeu.com.br/?p=3572 Ferramentas criadas por organizações de defesa dos trabalhadores estão usando inteligência artificial para fortalecer mulheres em negociações.

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A inteligência artificial está entrando em um território que, durante muito tempo, pareceu restrito a advogados, especialistas e departamentos de recursos humanos: o entendimento dos direitos de quem trabalha.

Nos Estados Unidos, novas ferramentas estão sendo usadas para ajudar mulheres e outros trabalhadores a entender contratos, descobrir benefícios, conhecer direitos e até se preparar para conversar sobre salário e condições de trabalho.

A proposta chama atenção porque muda a pergunta sobre o papel da IA. Em vez de pensar apenas em máquinas substituindo pessoas, essas iniciativas mostram outra possibilidade que passa a usar a tecnologia para dar mais informação a quem está negociando com empresas e empregadores.

O contrato que quase ninguém entende

Uma dessas iniciativas é a LOV Where You Work, criada pela Lift Our Voices, organização fundada pelas ativistas Gretchen Carlson e Julie Roginsky.

A ferramenta permite que o trabalhador envie um contrato ou outro documento relacionado ao emprego.

A IA ajuda a identificar cláusulas que podem limitar direitos ou criar obrigações importantes.

Entre elas estão acordos de confidencialidade e cláusulas de arbitragem obrigatória.

Na prática, funciona como uma primeira tradução. A pessoa consegue entender melhor o que está prestes a assinar e quais pontos merecem atenção.

A própria Lift Our Voices deixa claro que a ferramenta não substitui um advogado. A intenção é evitar que alguém assine um documento sem compreender o que está nele.

E isso importa especialmente quando o contrato envolve situações de assédio, discriminação ou outras formas de violência no ambiente profissional.

Informação também pode virar dinheiro

Outra ferramenta mira um problema muito comum para mães: descobrir se têm direito à licença parental remunerada e como conseguir o benefício.

A PaidLeave.AI, criada pela organização Moms First, usa inteligência artificial para explicar regras de licença, verificar possíveis critérios de elegibilidade e indicar os próximos passos para solicitar o benefício.

O problema é que ter um direito não significa necessariamente conseguir acessá-lo.

Uma pesquisa da McKinsey com a Moms First aponta que apenas cerca de duas em cada cinco pessoas elegíveis nos Estados Unidos utilizam a licença parental remunerada.

Um dos principais obstáculos é justamente não saber que o benefício existe ou não entender como solicitá-lo.

É aí que a tecnologia tenta entrar.

Em vez de entregar uma montanha de informações, a ferramenta conversa com a pessoa e ajuda a transformar uma dúvida em um caminho possível.

Negociação salarial

E quando chega a hora de pedir aumento? É nesse ponto que aparece uma das experiências mais interessantes.

A Ask Aya, da National Domestic Workers Alliance, foi criada para apoiar trabalhadoras domésticas, como babás, cuidadoras e profissionais de limpeza.

A ferramenta funciona como uma espécie de assistente digital. Ela ajuda a pensar em situações reais do trabalho, tais como, pedir aumento, estabelecer limites, solicitar uma folga ou conversar com o empregador sobre determinadas condições.

E os primeiros resultados chamaram atenção.

Em um teste com 35 trabalhadoras domésticas, 93% disseram ter colocado em prática algum conselho recebido pela ferramenta. Além disso, 25% afirmaram ter negociado um aumento de remuneração.

O número é significativo, mas precisa ser lido com cuidado. A amostra ainda é pequena. Portanto, não é possível dizer que a IA fará todas as mulheres conseguirem aumento.

O que o resultado mostra é quando uma pessoa chega mais preparada para uma conversa, ela pode se sentir mais segura para negociar.

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Gravidez e tireoide: nova diretriz muda quando a gestante realmente precisa de hormônio https://elaseeu.com.br/gravidez-e-tireoide-nova-diretriz-muda-quando-a-gestante-realmente-precisa-de-hormonio/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=gravidez-e-tireoide-nova-diretriz-muda-quando-a-gestante-realmente-precisa-de-hormonio Sat, 22 Aug 2026 16:52:25 +0000 https://elaseeu.com.br/?p=3571 Atualização brasileira coloca a evidência no centro do pré-natal e encerra uma prática que, em alguns casos, vinha sendo adotada apenas como precaução.

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Durante a gravidez, poucas palavras em um exame de sangue provocam tanta apreensão quanto “anti-TPO positivo”. O resultado pode indicar autoimunidade contra a tireoide, mas não significa, sozinho, que a mulher tenha hipotireoidismo.

É justamente essa diferença que ganhou novo peso nas recomendações brasileiras divulgadas em agosto de 2026 pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

A principal mudança é que gestantes com anti-TPO positivo, mas com função tireoidiana normal, não devem receber levotiroxina apenas como prevenção.

A decisão acompanha a revisão internacional publicada pela American Thyroid Association (ATA) em junho de 2026, quase uma década depois da diretriz anterior.

O que mudou na prática

A levotiroxina é um hormônio sintético utilizado para repor a tiroxina quando a tireoide não produz quantidade suficiente. O ponto central da nova orientação não é abandonar o tratamento de doenças da tireoide durante a gravidez, mas evitar transformar um marcador de risco em diagnóstico.

Em caso que a gestante apresenta anti-TPO positivo, mas mantém TSH e T4 livre dentro dos parâmetros adequados, a recomendação brasileira passa a ser acompanhar a função da tireoide, em vez de medicar preventivamente. Isso é importante porque mulheres com autoimunidade tireoidiana continuam apresentando maior possibilidade de desenvolver hipotireoidismo ao longo da gestação. Portanto, retirar o hormônio preventivo não significa retirar o acompanhamento.

A mudança ganhou força com resultados de estudos clínicos que avaliaram justamente se a levotiroxina poderia evitar desfechos como aborto espontâneo e parto prematuro em mulheres eutireoidianas com anticorpos tireoidianos. A evidência acumulada não demonstrou benefício consistente que justificasse o uso rotineiro do medicamento nesse grupo.

A própria atualização da ATA foi construída a partir de revisão sistemática da literatura e metodologia GRADE, considerando benefícios, possíveis danos, qualidade das evidências, valores das pacientes e viabilidade das recomendações.

O Brasil mantém uma diferença importante

Há outro detalhe que merece atenção. O Brasil continuará defendendo o rastreamento precoce da função tireoidiana para todas as gestantes, enquanto a nova diretriz norte-americana passou a privilegiar uma estratégia de rastreamento seletivo baseada em fatores de risco.

A escolha brasileira considera que depender apenas de características clínicas pode deixar algumas mulheres com disfunção tireoidiana sem diagnóstico. Quando não for possível testar todas, a orientação é priorizar quem apresenta maior risco.

A atualização também retira idade materna, obesidade e número de gestações anteriores como critérios isolados de maior peso, por serem características frequentes e pouco específicas.

Outra mudança envolve o hipotireoidismo subclínico, situação em que o TSH está elevado, mas o T4 livre permanece normal. Para valores de TSH entre 4 e 10 mUI/L, a nova orientação brasileira concentra a indicação de tratamento no primeiro trimestre, período especialmente sensível para o desenvolvimento fetal.

Quando a alteração aparece mais tarde, a conduta passa a depender do nível do TSH, do T4 livre e do momento da gestação, e não simplesmente da presença de uma alteração laboratorial discreta. Valores de TSH superiores a 10 mUI/L continuam representando uma situação que exige tratamento.

Importante: a nova orientação não significa que mulheres que já fazem tratamento para hipotireoidismo devam suspender a levotiroxina.

Quem já possui diagnóstico de hipotireoidismo precisa de acompanhamento médico e, frequentemente, de ajustes de dose durante a gravidez, porque a necessidade hormonal pode aumentar nesse período.

Qualquer mudança de medicamento deve ser feita pelo obstetra e/ou endocrinologista responsável pelo pré-natal.

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Juliana dos Santos faz do azul da natureza matéria de sua arte https://elaseeu.com.br/juliana-dos-santos-faz-do-azul-da-natureza-materia-de-sua-arte/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=juliana-dos-santos-faz-do-azul-da-natureza-materia-de-sua-arte Thu, 20 Aug 2026 17:51:20 +0000 https://elaseeu.com.br/?p=3570 Doutora em artes, artista visual leva para museus e bienais uma pesquisa em que flores, tempo, memória e identidade se encontram.

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Há artistas que pintam o tempo. Juliana dos Santos prefere deixá-lo trabalhar. A artista visual paulistana, nascida no bairro do Peruche, transformou o azul extraído da flor Clitoria ternatea em matéria de uma pesquisa que desafia a ideia de que uma obra precisa permanecer igual para ser reconhecida como arte.

Em 2026, seu trabalho ganhou ainda mais projeção ao integrar a lista Forbes Mulheres Mais Poderosas do Brasil, entre 16 mulheres destacadas pela publicação.

Quando a natureza também assina a obra

Sua carreira combina formação acadêmica, experimentação e uma relação profunda com a própria origem. Doutora em Artes pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Juliana cresceu em um ambiente marcado pela cultura das escolas de samba e encontrou ali uma das primeiras referências para compreender a conexão entre arte e vida.

Hoje, sua investigação transforma pigmentos naturais em instalações e pinturas nas quais o azul pode se espalhar, desaparecer e adquirir novas tonalidades conforme o tempo e as condições do ambiente.

Essa escolha também muda a posição de quem observa. Em vez de entregar uma imagem pronta e definitiva, Juliana cria trabalhos abertos ao acaso, à umidade, ao vento e à passagem das horas.

Em “Temporã”, sua exposição individual na Pinacoteca de São Paulo, a participação do público fez parte do próprio processo de criação. Na 36ª Bienal de São Paulo, a artista ampliou essa investigação ao permitir que elementos da natureza interferissem no percurso da cor em trabalhos de grande dimensão.

Pesquisa, arte e identidade

O reconhecimento internacional veio acompanhado de uma trajetória construída sem atalhos. Em 2026, Juliana apresentou seu trabalho na ARCOmadrid, na Espanha, depois de integrar a 36ª Bienal de São Paulo e realizar “Temporã”.

A artista também está representada pela Galeria Luisa Strina, que registra sua participação em importantes exposições e instituições do circuito brasileiro.

Talvez esteja justamente aí a força de sua história. Juliana faz do pigmento da flor matéria para falar de memória, acaso e mudança. Ao aproximar natureza, identidade, racialidade e tempo, sua pesquisa cria uma arte que não se limita à contemplação, mas convida o público a perceber o que acontece enquanto a obra muda.

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Jennifer Garner transforma fama em negócio e amplia sua aposta https://elaseeu.com.br/jennifer-garner-transforma-fama-em-negocio-e-amplia-sua-aposta/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=jennifer-garner-transforma-fama-em-negocio-e-amplia-sua-aposta Tue, 18 Aug 2026 16:50:23 +0000 https://elaseeu.com.br/?p=3569 De Hollywood ao mercado de alimentos infantis, atriz transforma participação em uma empresa de capital aberto e coloca acesso à alimentação de qualidade no centro da estratégia.

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A atriz norte-americana, Jennifer Garner já conhecia os holofotes. Agora, ela também aprendeu a lidar com outro tipo de exposição, a de uma empresa listada na Bolsa de Nova York.

Em fevereiro de 2026, a atriz e cofundadora da Once Upon a Farm levou a marca de alimentos orgânicos para crianças ao mercado de ações, em uma oferta pública inicial que avaliou o negócio em US$ 724 milhões.

Meses depois, em vez de tratar o IPO como ponto de chegada, Garner decidiu acelerar a expansão.

O negócio cresceu para além da fama

A história chama atenção porque Jennifer não aparece apenas como garota-propaganda. Ela é a maior acionista individual da empresa, com cerca de 7% de participação, avaliada em aproximadamente US$ 55 milhões. Além disso, a Once Upon a Farm já reúne mais de 40 produtos e alcança mais de 25 mil lojas nos Estados Unidos. O crescimento mostra como uma imagem pública pode abrir portas, mas não sustenta sozinha uma operação que precisa conquistar consumidores, varejistas e investidores.

Garner ajudou a construir uma marca com uma questão social no radar. Uma das prioridades da empresa é ampliar o acesso aos produtos por meio do WIC, programa norte-americano de apoio nutricional destinado a gestantes, bebês e crianças pequenas de famílias elegíveis de baixa renda. Em 2026, a marca alcançou autorização do programa em 20 estados, permitindo que determinados produtos fossem adquiridos por famílias participantes.

Crescer sem perder o propósito

E é justamente aí que a trajetória de Jennifer Garner ganha outra dimensão. O que começou como uma aposta em alimentação infantil orgânica tornou-se uma empresa pública, com pressão por crescimento e resultados, mas também com a possibilidade de alcançar famílias que historicamente enfrentam mais barreiras para acessar determinados alimentos. A própria Garner afirma que prefere concentrar sua atenção na missão do negócio, e não na oscilação diária das ações.

No fim, a história não é apenas sobre uma atriz que abriu um negócio. É sobre uma mulher que promoveu visibilidade em estratégia, participação societária em influência e uma ideia voltada à infância em uma empresa avaliada em centenas de milhões de dólares. Jennifer Garner mostra que empreender depois dos 50 também pode significar recomeçar em outra arena, ocupar espaços tradicionalmente dominados por homens e fazer da própria trajetória uma ferramenta para construir algo maior do que a fama.

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Bertha Lutz: a cientista que ajudou a escrever os direitos das mulheres https://elaseeu.com.br/bertha-lutz-a-cientista-que-ajudou-a-escrever-os-direitos-das-mulheres/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=bertha-lutz-a-cientista-que-ajudou-a-escrever-os-direitos-das-mulheres Sun, 16 Aug 2026 17:48:49 +0000 https://elaseeu.com.br/?p=3568 Entre a ciência, a política e o movimento feminista, a brasileira defendeu o voto feminino, direitos trabalhistas e a igualdade entre homens e mulheres no Brasil e no cenário internacional.

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Bertha Maria Júlia Lutz nasceu em São Paulo, em 2 de agosto de 1894, em uma época em que a presença feminina na ciência, na política e no serviço público ainda enfrentava fortes barreiras.

Filha do médico e cientista Adolfo Lutz e da enfermeira Amy Fowler, estudou na França e formou-se em áreas como botânica, zoologia, embriologia, química e biologia pela Universidade de Paris, a Sorbonne.

Quando voltou ao Brasil, em 1918, ingressou no serviço público e, no ano seguinte, tornou-se secretária do Museu Nacional. Mais tarde, atuou como naturalista na instituição.

O voto não veio como presente

Bertha entendeu cedo que conhecimento científico e cidadania precisavam caminhar juntos. Em 1919, fundou a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher.

Três anos depois, criou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, organização que reuniu mulheres em torno de pautas como o direito ao voto, acesso à educação, participação no mercado de trabalho e igualdade jurídica.

A mobilização ajudou a fortalecer uma luta que já existia no país e que resultou no reconhecimento do voto feminino pelo Código Eleitoral de 1932, posteriormente assegurado pela Constituição de 1934. Por isso, a conquista não deve ser tratada como uma simples concessão do governo, mas como resultado de anos de pressão e organização das mulheres.

Do laboratório para o Congresso

A atuação de Bertha não terminou quando as mulheres conquistaram o direito de votar. Ela também quis ocupar os espaços onde as leis eram construídas. Em 1933, formou-se em Direito e, no ano seguinte, foi eleita suplente para a Câmara dos Deputados.

Em julho de 1936, assumiu uma cadeira após a morte do titular, tornando-se deputada federal. No Parlamento, defendeu medidas como igualdade salarial, licença remunerada de três meses para gestantes e redução da jornada de trabalho, que chegava a 13 horas. Também participou de discussões relacionadas à proteção da maternidade, ao trabalho feminino e à organização dos serviços públicos.

A dimensão internacional de sua atuação ainda hoje impressiona. Em 1945, Bertha integrou a delegação brasileira na Conferência de São Francisco, responsável pela elaboração da Carta das Nações Unidas.

Ela foi uma das apenas quatro mulheres entre as delegações que assinaram o documento fundador da Organização das Nações Unidas (ONU). Durante as negociações, defendeu que a igualdade de direitos entre homens e mulheres estivesse expressa na Carta.

A ONU reconhece sua participação nas articulações que contribuíram para a inclusão desse princípio no documento, enquanto o Ministério das Relações Exteriores registra que ela foi a única mulher da delegação brasileira.

Uma história que ainda fala com o presente

Bertha Lutz morreu em 16 de setembro de 1976, aos 82 anos. Sua presença, porém, permaneceu registrada em documentos que ajudam a reconstruir a história dos direitos das mulheres no Brasil.

O acervo relacionado à sua atuação foi reconhecido no Programa Memória do Mundo da UNESCO, e reúne registros de sua participação política, reivindicações femininas e propostas apresentadas ao poder público.

O que torna Bertha Lutz uma personagem tão potente não é apenas a quantidade de espaços que ocupou, mas a conexão que estabeleceu entre eles.

Ela entrou na ciência quando poucas mulheres tinham acesso a esses ambientes, enfrentou estruturas políticas para defender direitos e levou a igualdade de gênero para uma mesa internacional.

Sua história lembra que ocupar um espaço é importante, mas disputar as regras que definem quem pode ocupá-lo pode ser ainda mais decisivo.

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SUS amplia atendimento psicológico on-line para mulheres em todo o Brasil https://elaseeu.com.br/sus-amplia-atendimento-psicologico-on-line-para-mulheres-em-todo-o-brasil/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=sus-amplia-atendimento-psicologico-on-line-para-mulheres-em-todo-o-brasil Sun, 16 Aug 2026 15:46:37 +0000 https://elaseeu.com.br/?p=3567 Novo serviço oferece até 100 mil teleatendimentos por mês para mulheres em situação de violência e familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.

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Pedir ajuda nem sempre é simples. Para muitas mulheres, encontrar tempo, dinheiro, deslocamento e até segurança para chegar a um serviço de saúde pode ser parte do problema. É justamente nesse espaço que o Sistema único de Saúde (SUS) começa a oferecer uma nova possibilidade de cuidado: atendimento psicológico remoto, gratuito e realizado por psicólogas capacitadas.

A partir de agosto, o serviço Acolhe Mais – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres está disponível para mulheres de todo o Brasil pelo Meu SUS Digital. A iniciativa tem capacidade para realizar até 100 mil teleatendimentos por mês e foi ampliada nacionalmente depois de um projeto-piloto realizado em Recife e no Rio de Janeiro.

Quem pode procurar o serviço

A oferta é destinada a mulheres com 18 anos ou mais que vivem ou já viveram situações de violência, incluindo violência física, psicológica, sexual e financeira. O atendimento também contempla mães, tias, avós, irmãs e outras familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.

A proposta reconhece uma realidade que muitas vezes fica invisível: quem cuida também precisa ser cuidada. A sobrecarga, a falta de tempo e a dificuldade de deslocamento podem afastar mulheres dos serviços de saúde.

Com a consulta on-line, o cuidado chega a elas por meio de uma ferramenta que já está no celular.

Como acessar

O caminho começa pelo aplicativo Meu SUS Digital. Depois de entrar com a conta gov.br, a usuária deve acessar “Miniapps” e selecionar “Acolhe Mais – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”.

Na sequência, ela será direcionada para a plataforma da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), onde fará o cadastro e informará se busca atendimento por ter vivido uma situação de violência ou por exercer o papel de cuidadora.

Segundo o Ministério da Saúde, em até 24 horas a equipe entra em contato para orientar o agendamento. Antes da consulta, a usuária recebe lembretes e, no dia marcado, o link para a videochamada.

O atendimento funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h. A equipe é formada por psicólogas mulheres capacitadas para realizar escuta qualificada no ambiente virtual e identificar situações de risco.

Para mulheres em situação de violência, o acompanhamento pode chegar a 10 sessões, com possibilidade de um novo ciclo quando necessário. A partir da avaliação realizada durante o atendimento, também pode haver encaminhamento para serviços da rede, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), garantindo continuidade do cuidado.

E há uma informação que merece ser compartilhada: não é preciso esperar a situação piorar para procurar ajuda. O serviço foi criado justamente para ampliar o acesso ao cuidado psicológico de mulheres que enfrentam ou enfrentaram violência e daquelas que carregam, muitas vezes sozinhas, a responsabilidade de cuidar de alguém.

Em situações de risco imediato, porém, o teleatendimento não substitui os serviços de emergência. Nesses casos, a orientação do Ministério da Saúde é acionar o SAMU, pelo 192, ou a Polícia Militar, pelo 190. Para orientação e denúncia de violência contra a mulher, o Ligue 180 também permanece como canal da rede de enfrentamento.

O novo serviço não resolve sozinho todas as barreiras que impedem mulheres de acessar saúde mental. Mas representa uma porta a mais — e, para quem está vivendo uma situação de violência ou uma rotina de cuidado exaustiva, uma porta aberta pode fazer diferença.

Serviço:

Onde: Meu SUS Digital
Público: mulheres a partir de 18 anos em situação de violência ou que já vivenciaram violência; familiares cuidadoras de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
Atendimento: gratuito e on-line
Horários: segunda a sexta, das 8h às 20h; sábado, das 8h às 14h.
Acesso: Meu SUS Digital → Miniapps → Acolhe Mais – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres.

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Maria Quitéria: a mulher que vestiu a farda e foi à guerra https://elaseeu.com.br/maria-quiteria-a-mulher-que-vestiu-a-farda-e-foi-a-guerra/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=maria-quiteria-a-mulher-que-vestiu-a-farda-e-foi-a-guerra Fri, 14 Aug 2026 14:20:50 +0000 https://elaseeu.com.br/?p=3566 Antes de o Exército aceitar mulheres, uma mulher já havia entrado para a história usando um uniforme que não lhe era permitido vestir.

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Em uma época em que a vida das mulheres brasileiras era cercada por limites impostos pela sociedade, Maria Quitéria de Jesus decidiu atravessar um deles. Nascida na Bahia, em 1792, ela entrou para as tropas que lutavam pela Independência do Brasil na Bahia, em 1822, quando mulheres não podiam se alistar.

Para conseguir lutar, vestiu a farda e assumiu a identidade de seu cunhado, José Cordeiro de Medeiros. Tornou-se o Soldado Medeiros. A estratégia poderia ter terminado em punição quando sua identidade foi descoberta. Mas aconteceu o contrário. O desempenho de Quitéria nas batalhas foi reconhecido, e ela permaneceu nas tropas.

Uma mulher antes do seu tempo

Ela participou dos combates pela Independência na Bahia e integrou o Batalhão dos Periquitos. Sua atuação chamou a atenção pela habilidade com as armas e pela coragem em campo. Depois da guerra, foi ao Rio de Janeiro, onde recebeu de D. Pedro I a insígnia de Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro e um soldo de alferes.

Mas talvez a parte mais poderosa dessa história esteja justamente no que veio depois. Maria Quitéria não construiu uma carreira militar feminina. Ela abriu uma brecha. Mais de um século depois, a presença das mulheres nas Forças Armadas começaria a ser institucionalizada. Em 1996, ela foi oficialmente instituída como Patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro.

Maria Quitéria morreu em Salvador, em 21 de agosto de 1853, aos 61 anos. Durante muito tempo, sua trajetória ficou entre a memória histórica e o esquecimento. Hoje, seu nome permanece como símbolo de uma mulher que, em um Brasil que dizia onde uma mulher podia estar, decidiu ocupar um lugar que lhe diziam não pertencer.

 

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