Em uma sociedade que insiste em medir as mulheres em centímetros, o peso não começa no corpo. Ele começa antes. Começa naquele olhar mais crítico no espelho. Na roupa que não veste como antes. E naquele pensamento silencioso que insiste em dizer que você deveria ser diferente.
Desde muito cedo, você aprendeu que precisava caber. Caber no padrão. Caber no elogio. Caber no que esperavam de você. E, mesmo quando ninguém fala nada, essa cobrança continua aí dentro. Como um ruído constante que nunca desliga.
Além disso, eu sei como esse conflito cansa. Porque não é só sobre comida. É sobre culpa. Sobre tentar controlar tudo. Sobre prometer que amanhã vai ser diferente. E, ainda assim, sentir que nunca é suficiente. E isso machuca mais do que qualquer número na balança.
E tem mais. O corpo acaba virando lugar de descarrego. Ansiedade, frustração, exaustão. Tudo vai ficando ali. Só que, em vez de acolher, você se cobra ainda mais. Como se o problema fosse falta de esforço, quando na verdade é excesso de pressão.
Ao mesmo tempo, é preciso lembrar que corpos são plurais. Mudam com o tempo. Mudam com a vida. E está tudo bem querer um objetivo, inclusive um número específico. Mas isso só faz sentido quando vem de escolha, não de imposição. Porque já não cabe mais viver tentando caber em algo que te diminui.
No fim, me responde com honestidade. Esse peso que você carrega hoje é realmente seu ou foi alguém que te ensinou a aceitar como se fosse?
Maíra Pessoa Jornalista| criadora do Elas &Eu |Mulher em Construção. Comunicação que informa, provoca e acolhe.











