Talvez você ainda não tenha percebido. E tudo bem, sempre haverá alguém pronto para explicar que é assim mesmo. Primeiro a família. Depois o marido, os filhos, o trabalho, a casa, o pet, a lista do mercado e, se sobrar um espacinho em branco, você. A dona de si que não gerencia nem a própria agenda. Um clássico moderno.
Em algum momento da história, meu palpite provavelmente lá atrás, naquela velha infância que a terapia adora visitar aprendemos que mulheres equilibram tudo. Sem reclamar. Sem sentir demais. Sem falhar. Crenças passadas de geração em geração, embaladas como virtude, mas entregues como sobrecarga. Crescemos acreditando que dar conta é sinônimo de silêncio emocional e que cansaço é falta de organização, nunca excesso de exigência.
E então vem a ironia: ninguém ensinou como caber em tantas versões ao mesmo tempo sem desaparecer de si. A mulher profissional, a afetiva, a responsável, a cuidadora, a que resolve. Todas com horário marcado. Menos aquela que sente, pausa, respira e existe sem função prática.
Se existe alguma mágica possível, ela começa com uma decisão, olhar para si antes de olhar para o resto do mundo. Até as aeromoças, entre uma turbulência e outra, avisam: em caso de despressurização, coloque primeiro a máscara em você. Não é egoísmo. É sobrevivência. É lógica básica da vida adulta.
Foi aí que decidi me colocar na agenda. Não como favor, mas como compromisso. Porque ninguém fará por mim o que só eu posso fazer: me escutar, me respeitar, me sustentar por dentro. O mundo continuará exigindo. As demandas não pedem licença. Mas eu, agora, tenho horário marcado comigo.
Essa é a minha história.
E a sua?
Em que lugar da sua agenda você anda se deixando para depois?
Maíra Pessoa Jornalista| criadora do Elas &Eu |Mulher em Construção. Comunicação que informa, provoca e acolhe.










