Violência doméstica avança e expõe uma crise que também impacta o mercado de trabalho

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A violência contra a mulher continua deixando marcas que ultrapassam os limites da vida pessoal. Dados recentes mostram um crescimento expressivo dos afastamentos profissionais motivados por agressões físicas, sexuais e psicológicas. Em apenas quatro anos, o número de mulheres que precisaram se afastar do trabalho por causa da violência aumentou 313%, revelando uma realidade que exige atenção urgente da sociedade, das empresas e do poder público.

A história de Fernanda Nascimento, de 42 anos, ajuda a traduzir os números em uma experiência real. O relacionamento que parecia tranquilo no início deu lugar a anos de abuso emocional e psicológico.

Com o passar do tempo, as agressões se intensificaram até culminarem em um episódio grave de violência física.

Em maio de 2022, ela decidiu denunciar o ex-marido e buscar proteção na Justiça. No ambiente de trabalho, porém, encontrou pouco suporte diante da complexidade da situação.

Quando a violência chega ao ambiente profissional

Embora a agressão aconteça dentro de casa, seus efeitos acompanham as vítimas em todos os espaços. A insegurança, o desgaste emocional, os procedimentos legais e a recuperação física frequentemente afetam a rotina profissional. Como consequência, muitas mulheres precisam interromper suas atividades para preservar a própria integridade.

Nesse cenário, o afastamento deixa de ser apenas uma questão individual e passa a refletir um problema social com impactos econômicos e humanos.

As empresas começam a perceber que oferecer acolhimento não representa apenas uma medida de responsabilidade social, mas também uma necessidade prática. Algumas organizações já implementam protocolos de apoio, flexibilização de horários, encaminhamento psicológico e orientação jurídica.

Dessa forma, criam condições para que funcionárias em situação de violência encontrem suporte sem enfrentar sozinhas um momento de extrema vulnerabilidade.

Os números reforçam a gravidade do cenário. Segundo dados do Ministério da Previdência Social divulgados pelo Jornal O Globo, 91 mulheres receberam auxílio do INSS em 2025 após afastamentos relacionados à violência física, sexual ou psicológica.

Em 2021, primeiro ano com dados separados por gênero, foram registrados 22 casos. Mais do que uma estatística, o aumento evidencia uma crise que exige prevenção, acolhimento e ações concretas.

Enquanto a violência continuar silenciando mulheres, seus impactos seguirão sendo sentidos dentro das famílias, das comunidades e dos locais de trabalho.

Violência contra a mulher no Brasil

A violência contra a mulher é considerada uma das principais violações de direitos humanos no país. Ela pode se manifestar de forma física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial e afeta mulheres de todas as idades, classes sociais e regiões.

A criação da Lei Maria da Penha, em 2006, representou um marco no enfrentamento desse problema ao estabelecer mecanismos de proteção e punição aos agressores.

Apesar dos avanços legais, especialistas destacam que a conscientização, a denúncia e o fortalecimento das redes de apoio continuam sendo fundamentais para reduzir os índices de violência e garantir segurança às mulheres.