Voz da Floresta: Djuena Tikuna, música e resistência indígena do Amazonas

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Ela nasceu às margens do Rio Solimões, na aldeia Umariaçu 2, na cidade de Tabatinga/AM, (a 1.108 quilômetros de Manaus) e distante de Manaus e carrega nas veias a força ancestral de um povo que resiste. Djuena Tikuna é simplesmente a primeira mulher indígena formada em Jornalismo no estado do Amazonas, um marco histórico que transcende o diploma e ecoa como um grito de afirmação da identidade indígena nos espaços onde antes havia silêncio.

Mas Djuena não para por aí. Com um pé no teatro e a alma inteira na música, ela se tornou um dos grandes nomes da arte indígena contemporânea. Sua voz, embalada desde a infância pelas cantigas do seu povo, ganhou forma, força e palco. Ela canta em Tikuna, sua língua materna, e cada apresentação é um ato político, um manifesto vivo em defesa da cultura, da terra e dos direitos dos povos originários.

“A música sempre pulsou no meu coração. Desde pequena, fui embalada pelos cantos ancestrais do meu povo, o Tikuna. Com o tempo, entendi que a minha voz poderia ser também um instrumento de luta. Transformei os ensinamentos que herdei em arte viva. Ao misturar tradição e contemporaneidade, fui construindo pontes entre mundos”, explica Djuena e acrescenta que leva a cultura Tikuna com orgulho e verdade para palcos no Brasil e fora dele, mantendo viva a essência do meu povo com autenticidade.

Seu álbum “Tchautchiüãne”, por exemplo, é destaque na música indígena brasileira. Com ele, Djuena se consagrou como a primeira mulher indígena a protagonizar um espetáculo solo no Teatro Amazonas, um dos mais emblemáticos do país. Com a força de sua voz e a poesia de suas canções, ela mostrou que ocupar esse espaço era não apenas possível — mas necessário.

Além do ativismo artístico, Djuena atua como comunicadora, palestrante e representante dos povos originários em debates sobre educação, cultura e direitos humanos. Sua presença é símbolo de um tempo novo: onde a ancestralidade caminha lado a lado com a modernidade, sem jamais deixar a floresta para trás.

Em cada palavra, em cada melodia e em cada gesto, Djuena Tikuna nos lembra que existir, resistir e criar a partir das raízes é um ato de coragem. E que o Brasil só será verdadeiramente plural quando as vozes indígenas forem ouvidas — não como exceção, mas como parte essencial de quem somos.

Quer conhecer mais sobre essa trajetória inspiradora?
Acompanhe Djuena no Instagram: @djuenatikuna

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