Uruguai avança no combate à endometriose com lei que amplia diagnóstico e tratamento

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A endometriose passou a ocupar um novo espaço nas políticas públicas do Uruguai. O país regulamentou, em abril, a Lei nº 20.374/2026, reconhecendo oficialmente a doença como um problema de saúde pública e estabelecendo medidas para garantir diagnóstico precoce, assistência integral e acompanhamento contínuo às pacientes.

A iniciativa representa um avanço na saúde da mulher e reforça a necessidade de enfrentar uma condição que, durante décadas, permaneceu invisibilizada.

Reconhecimento amplia direitos e acelera o cuidado às mulheres

A nova regulamentação determina que os serviços do Sistema Nacional Integrado de Saúde ofereçam atendimento especializado desde os primeiros sinais da doença. Neste sentido, a legislação busca reduzir barreiras históricas que dificultam o acesso ao diagnóstico, um dos maiores desafios enfrentados por mulheres com endometriose.

Na prática, a medida amplia direitos, fortalece a rede de assistência e estimula a capacitação das equipes de saúde para um cuidado mais eficiente.

A endometriose é uma doença inflamatória crônica que ocorre quando um tecido semelhante ao revestimento interno do útero cresce fora da cavidade uterina. Esse tecido pode atingir ovários, trompas de Falópio, região pélvica, intestino e, em situações menos frequentes, outros órgãos.

Embora seja frequentemente associada apenas à saúde ginecológica, especialistas destacam que a enfermidade possui caráter sistêmico e pode comprometer diferentes aspectos da qualidade de vida.

Entre os sintomas mais comuns estão dores intensas durante o período menstrual, fadiga persistente, sangramento menstrual abundante, dor nas relações sexuais e dificuldade para engravidar.

Além dos impactos físicos, muitas pacientes convivem com prejuízos emocionais, sociais, acadêmicos e profissionais. Estudos internacionais indicam que o tempo médio entre o início dos sintomas e a confirmação do diagnóstico pode variar de sete a dez anos, realidade que contribui para a progressão da doença e para o agravamento do sofrimento das mulheres.

Com a regulamentação da Lei nº 20.374, o Uruguai busca reduzir esse intervalo, qualificar o atendimento e consolidar a endometriose como uma prioridade de saúde pública.

Para autoridades da saúde uruguaia, a medida representa o início de uma transformação estrutural, baseada na criação de protocolos clínicos, na formação permanente dos profissionais e na garantia de acompanhamento contínuo.

A expectativa é que a iniciativa sirva de referência para outros países e fortaleça o reconhecimento da endometriose não apenas como uma condição médica, mas também como uma questão de direitos, dignidade e equidade na saúde feminina.