A Copa do Mundo de Futebol, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, reacendeu um alerta do Ministério Público de Minas Gerais sobre uma realidade que se repete dentro dos lares.
Estudos apontam que dias de partidas de futebol registram aumento significativo nos casos de violência contra mulheres, sobretudo nas ocorrências de ameaça e lesão corporal dolosa.
O cenário reforça a necessidade de ampliar ações preventivas e mobilizar a sociedade para enfrentar esse problema.
Números que exigem atenção
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto Avon mostram crescimento de até 25,9% nos registros de lesão corporal dolosa durante partidas realizadas na cidade do clube mandante.
A pesquisa analisou ocorrências registradas entre 2015 e 2018 nas capitais Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Além disso, os pesquisadores identificaram aumento de 23,7% nas ameaças e de 20,8% nas lesões corporais dolosas sempre que os times dessas cidades entram em campo.
Diante desse panorama, o Ministério Público de Minas Gerais intensificou a campanha Cartão Vermelho ao Feminicídio, coordenada pelo Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.
A iniciativa busca envolver clubes, atletas, torcidas e toda a sociedade na construção de uma cultura de respeito às mulheres e na prevenção da violência de gênero.
Esporte como agente de transformação
A coordenadora do CAO VD, promotora de Justiça Denise Guerzoni, afirma que os números demonstram a necessidade de ampliar o debate sobre masculinidades, respeito e igualdade de gênero também no ambiente esportivo. Segundo ela, a paixão pelo futebol não pode servir como justificativa para comportamentos violentos, enquanto o esporte possui enorme capacidade de mobilização social e pode contribuir para fortalecer valores de convivência e cidadania.
O alerta ganha ainda mais relevância durante competições de grande audiência, quando milhões de pessoas acompanham as partidas. Embora o futebol represente celebração, identidade e integração cultural, especialistas defendem que o enfrentamento à violência doméstica deve caminhar lado a lado com campanhas educativas e políticas públicas permanentes.
O combate à violência contra a mulher depende da responsabilidade coletiva e da compreensão de que nenhuma emoção, rivalidade esportiva ou resultado dentro de campo pode justificar qualquer forma de agressão.










