O Boi-Bumbá Caprichoso anunciou a artista visual e performática Lup Moara como a primeira mulher trans a defender o item Tuxaua no Festival Folclórico de Parintins. A escolha foi divulgada na quarta-feira, 17, e marca um momento inédito para a manifestação cultural do Baixo Amazonas. Reconhecido como símbolo de liderança, força e ancestralidade indígena, o item ganha uma nova representação dentro da arena do Bumbódromo.
Segundo as informações divulgadas pelo Caprichoso, Lup Moara construiu sua formação artística dentro das fileiras do próprio boi. Sua trajetória começou na Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale, conhecida como Escolinha de Arte do Boi Caprichoso.
Depois, integrou o Corpo de Dança Caprichoso, onde desenvolveu sua prática cênica e coreográfica antes de assumir uma das funções mais emblemáticas do espetáculo.
Torcedora do Caprichoso desde a infância, a artista reúne experiência técnica, vivência cultural e atuação no campo do ativismo. Conforme o anúncio oficial, sua chegada ao posto representa não apenas uma conquista individual, mas também um marco político e cultural para a manifestação popular de Parintins.
A nomeação fortalece a valorização da diversidade dentro de uma tradição profundamente ligada às identidades amazônicas.
Representatividade dentro da tradição
O item Tuxaua ocupa um lugar central na narrativa do Festival de Parintins. Inspirado nas lideranças dos povos indígenas, ele simboliza autoridade, coragem e conexão com a ancestralidade.
Ao assumir essa função, Lup Moara amplia a presença de pessoas trans em espaços de grande visibilidade na cultura popular brasileira, demonstrando que tradição e diversidade podem caminhar juntas.
O anúncio ocorre em um momento de maior debate sobre inclusão e reconhecimento da população LGBTQIAPN+ nas manifestações culturais do país.
Para além da estreia na arena em 2026, a presença de Lup Moara tende a entrar para a história do Festival de Parintins como um capítulo de transformação social construído a partir da própria cultura amazônica, preservando suas raízes enquanto amplia os espaços de pertencimento e representação.










