A Dinamarca voltou a aparecer no topo do Índice de Percepção da Corrupção, da Transparency International, com uma das melhores avaliações do mundo em integridade no setor público. Ao mesmo tempo, o país é governado por Mette Frederiksen, primeira-ministra desde 2019.
Mas uma coisa não explica automaticamente a outra. O ranking não mede se mulheres ou homens são mais honestos. Ele avalia a percepção de corrupção no setor público.
No Índice de Percepção da Corrupção (CPI) 2025, divulgado pela Transparency International em fevereiro de 2026, a Dinamarca aparece novamente em primeiro lugar entre 182 países e territórios, com 89 pontos em uma escala de 0 a 100. Quanto maior a pontuação, menor é a percepção de corrupção no setor público. O país ocupa a liderança pelo oitavo ano consecutivo.
Presença feminina na política
A presença de mulheres na política dinamarquesa não depende apenas de uma mulher ocupar o cargo mais alto do governo.
Após as eleições de março de 2026, 86 dos 179 integrantes do Parlamento dinamarquês são mulheres, o equivalente a aproximadamente 48% da Casa. O número coloca a Dinamarca entre os parlamentos com maior presença feminina do mundo.
Esse dado merece atenção porque representa uma mudança histórica. Em 1945, apenas oito mulheres estavam entre os parlamentares dinamarqueses. Em 2026, elas são 86.
Não é apenas sobre sentar à mesa.
É sobre participar das decisões que definem orçamento, educação, saúde, trabalho, segurança, direitos, proteção social e o próprio funcionamento do Estado.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reforça que igualdade política não significa simplesmente aumentar o número de mulheres eleitas. Significa garantir que mulheres de diferentes origens possam participar da política, influenciar decisões e fazer com que políticas públicas considerem diferentes realidades sociais.
Na Dinamarca, quase metade do Parlamento é formada por mulheres. A primeira-ministra é mulher. E o país permanece no topo do ranking de percepção de integridade pública.
A combinação chama atenção, mas não oferece uma fórmula pronta.
Talvez a verdadeira pergunta não seja “mulheres deixam a política menos corrupta?”
Talvez seja: “O que acontece quando mulheres deixam de ser exceção nos lugares onde as decisões são tomadas?”
Essa é uma pergunta que interessa à Dinamarca. E deveria interessar também ao Brasil.
Porque ocupar uma cadeira de poder não é apenas chegar ao topo.
É mudar quem tem o direito de decidir o caminho.











